quinta-feira, 28 de maio de 2015

Escravidão voluntária

Vivemos numa sociedade em que somos pressionados a produzir cada vez mais e aproveitamos cada vez menos do que é produzido.
Por conta de dinheiro, muitas vezes pouco mais do que o necessário para custear as despesas básicas com moradia e alimentação, nos distanciamos do que faz bem para nosso espírito e das pessoas que nos engrandecem e abastecem emocionalmente.
Sem perceber somos consumidos pelo nosso consumismo, negligenciamos nossa qualidade de vida esperando tempos melhores que não irão acontecer por si só, e nos sentimos gradativamente cada vez mais cansados e entorpecidos, incapazes de romper com um ciclo de paralisação e insatisfação.
Nos esquecemos ou privamos de pequenos e importantes prazeres como uma boa conversa com uma pessoa agradável, acompanhar um nascer ou pôr do sol, contemplar por algum tempo as nuvens se modificando num dia ensolarado, ler um livro sem preocupação com o relógio, dormir pelo tempo necessário para uma completa recuperação do corpo, entre tantas outras possibilidades gratuitas.
O trabalho deve gerar um resultado que será construtivo para quem o faz ou para outras pessoas. Sem gratificação emocional ou material, o tempo e esforço investidos num trabalho se transformam numa desgastante rotina sem significado.

O bom trabalho é aquele que, em alguma medida, me realiza, 
me dá satisfação e me faz sentir útil para a sociedade em que vivo.
Enfim, um trabalho cujo sentido consigo perceber,
para o qual não me arrependo de dedicar várias horas do meu dia.
( Alessandro Molon )

Imagem: geracaodevalor.com

2 comentários:

  1. Muito bom, meu amigo. Às vezes, não há como não se debruçar sobre esse assunto maçante que são as relações de produção. Bom que você o faz sem a ingenuidade e o coitadismo da chamada "esquerda", mas também sem a prepotência e o messianismo do outro lado. Esse desabafo no blog, esse sim, é um bom trabalho!

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    1. Obrigado pelo apoio!
      Tem gente que não consegue distinguir a diferença entre trabalhar para viver e viver para trabalhar, tornando-se peça de manobra para as necessidades e vontades alheias, ignorando as próprias.

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