quinta-feira, 28 de julho de 2016

(Des)Apego

Desapego é envolvimento e intimidade com as coisas como são.

Muitas pessoas ouvem esse conceito do desapego e pensam que é uma espécie de afastamento, quando, na verdade, desapego é estar aberto a tudo, uma intimidade e um envolvimento verdadeiros com todas as coisas.

O apego é um sentimento de carência dentro de nós, uma crença que de alguma forma não somos ou temos o suficiente. Então, porque estamos convencidos disso, nós ansiamos por alguém ou algo fora de nós, acreditando que será melhor quando encontrarmos esse ideal.
Quando conseguimos, não aproveitamos plenamente porque temos medo de perder e desejamos manter o que consideramos uma necessidade ou direito nosso. Quando não conseguimos, nos sentimos frustrados e enraivecidos. O apego é, portanto, fonte de emoções infelizes.

Existe uma história zen sobre um mestre e seu discípulo. Os dois estavam a caminho da aldeia vizinha quando chegaram a um rio e viram na margem uma bela moça tentando atravessá-lo. O mestre zen ofereceu-lhe ajuda e, erguendo-a nos braços, levou-a até a outra margem. Depois cada qual seguiu seu caminho. O discípulo ficou bastante perturbado, pois o mestre sempre lhe ensinara que um monge nunca deve tocar uma mulher. O discípulo pensou e repensou o assunto; por fim, ao voltarem para o templo, disse ao mestre:
– Mestre, o senhor me ensinou a nunca tocar uma mulher e, apesar disso, o senhor pegou aquela moça nos braços e atravessou o rio com ela.
Respondeu o mestre: 
– Eu deixei a moça na outra margem do rio. Você ainda a está carregando.

O desapego é um dos mais importantes ensinamentos budistas. Muitos dos problemas da vida são causados pelo apego.
Desapego não é desinteresse, indiferença ou fuga aos problemas da vida. O desapego não é uma rejeição, mas uma libertação que prevalece quando deixamos de nos atar às causas do sofrimento, num estado de paz interior, com conhecimento lúcido de como funciona a nossa mente. Desapego é soltar aquilo que foi "pego" e mantemos fixo como se fosse permanente ou como achamos que deveriam ser.
A vida e seus problemas devem ser encarados e lidados de frente, mas não são coisas às quais devamos nos apegar. O apego às condições favoráveis leva à avidez e ao falso otimismo, enquanto que o apego às condições desfavoráveis leva ao ressentimento e ao pessimismo. Nosso apego às pessoas, coisas, condições, sentimentos e ideias é muito mais problemático do que imaginamos.

Muitas pessoas se apegam ao passado ou ao futuro, negligenciando o importante presente. Devemos viver o melhor "agora" que nos é possível, com plena consciência e responsabilidade. Quando o sol brilha, desfrute-o; quando a chuva cai, desfrute-a. Todas as coisas nesta vida – deixe que venham e deixe que se vão. 

A vida é mutável; todas as coisas são mutáveis. Por isso, deixe ir as coisas. Tudo o que fazemos, devemos fazer buscando sinceramente o melhor e, uma vez feito, feito está. Desapegue de suas escolhas, sejam elas certas ou erradas. Desapegue das pessoas e das coisas, sejam elas boas ou ruins. Este é um segredo da vida que nos impede de ficar entediados ou neuróticos. 

Adaptação da postagem do blog Buda Virtual
http://www.budavirtual.com.br/o-desapego 

Cataratas Pongua (Vietnã)

terça-feira, 28 de junho de 2016

Tocando em frente

 Ando devagar porque já tive pressa
e levo esse sorriso porque já chorei demais.
Hoje me sinto mais forte, mais feliz, quem sabe?
Só levo a certeza de que muito pouco eu sei.
Nada sei.
[...]
Penso que cumprir a vida seja simplesmente
compreender a marcha e ir tocando em frente.
Como um velho boiadeiro levando a boiada
eu vou tocando dias pela longa estrada eu vou.
Estrada eu sou.
[...]
Todo mundo ama, um dia todo mundo chora,
um dia a gente chega, no outro vai embora.
Cada um de nós compõe a sua história,
cada ser em si carrega o dom de ser capaz,
de ser feliz. "

Uma bela música composta por Almir Sater em parceria com Renato Teixeira.




sábado, 28 de maio de 2016

ViVer

Minha viagem 

Todos os dias há situações e pessoas negativas em volta da gente dizendo que nosso sonho é loucura e que devemos manter os pés no chão. Você já escutou algo do tipo: – Onde já se viu viajar com pouco dinheiro e sem rumo? Isso é fugir da vida real!.

Mas qual é a vida certa? A que disseram pra você seguir e engolir? Nascer, crescer, estudar o que definem, trabalhar onde não se realiza para comprar um monte de coisas que depois percebe não fazer muita diferença?
Reconheço a diferença do que pode ser a vida e do que ela é. Porém, se abdicarmos de nossos sonhos, o que seremos? Então qual o sentido disso tudo? Por isso pergunto: você está vivendo pra quem? Você está vivendo pra quê?
Não quero vender utopia pra ninguém. Há sim necessidades e responsabilidades, pessoas dependendo de muito suor e pouco salário para satisfazer suas necessidades, presas ou acomodadas em funções não desejadas. Mas não dá pra equilibrar?

Não desci de uma nave espacial ou tive uma vida confortável onde é fácil apontar e opinar. Sei o que é passar fome, sei o que é trabalhar mais de oito horas por dia e ter quase nada no final do mês! Esse é o meu valor? Esse é o meu limite máximo sobre esse chão? Tudo isso pra escutar que sonhos tem validade e não posso ser o dono da história da minha vida? Tive que ser adulto quando fui criança, então não me venham dizer que é uma fase adolescente que estou vivendo e um dia vai passar.
Cansei e me joguei na estrada pra conviver com gente boa pelo caminho e encontrei pessoas dispostas a parar suas vidas para me ajudar, mesmo sem eu ter pedido!

Se a vida está uma merda transforme-a em adubo, plante as sementes que deseja para talvez colher bons frutos lá na frente, mas não tão lá na frente porque talvez o futuro não exista e seja uma mentira que inventaram pra que não nos preocupemos com o que realmente é benéfico para nossa existência agora. 

Se ser alguém na vida é viver de uma forma menos bruta e competitiva, valorizando as boas relações, então estou chegando lá! Tornei-me alguém na vida quando voltei a acreditar em mim e em pessoas boas espalhadas pelo mundo. Tornei-me alguém quando subi na montanha guiado por novos amigos; nas conversas descompromissadas com velhinhos na calçada; quando estive perdido no deserto, sem nenhum centavo e esperando o vento passar, e ganhei uma carona de gente disposta a ajudar um desconhecido. E mesmo que tudo isso não me torne melhor ou que essa não seja a receita da felicidade eterna, posso garantir que fiquei mais forte pra sentir que quem tem o direito de viver por mim sou eu mesmo.

Se você partir pra sua jornada, seja viagem ou não, incentive quem está querendo fazer também. A riqueza da solidariedade é diferente do acúmulo de dinheiro: quanto mais se divide mais se ganha! Que vivamos os nossos erros e doa na carne se for o caso, pois é melhor do que sofrer pela falta de coragem ou pelas escolhas que não fizemos por comodismo.
Não estou preocupado em como vou morrer, meu medo é de morrer sem viver!

Adaptação da postagem do blog Vagabundo Profisional
http://vagabundoprofissional.com.br/voce-esta-vivendo-para-quem 

Imagem: vagabundoprofissional.com.br
Foto: Bruno Carmona